Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Michigan analisou dados coletados pela sonda Galileo da Nasa e chegaram à conclusão que o equipamento deve ter cruzado com uma pluma de água quando passou pela atmosfera da lua Europa, satélite natural de Júpiter. A sonda passou por Europa em 1997 a 206 km da superfície. A descoberta anima cientistas que defendem a hipótese dessa lua conter moléculas orgânicas e até vida.

A pesquisa, liderada por Xianzhe Jia, uniu os dados coletados na ocasião pela sonda Galileo com detecções feitas pelo Telescópio Hubble. A sonda foi lançada em 1989 e explorou o sistema de Júpiter até cair no planeta gigante em 2003. Na época os sinais que o equipamento havia passado por uma pluma de água expelida da superfície não eram óbvios. Em sua passagem pela lua, Galileo registrou dados de plasma e campo magnético, que os cientistas classificaram como “esquisitos”. Entretanto, a hipótese de que a sonda teria passado por uma pluma de água só foi levantada depois, com as medições do telescópio indicando que havia água sendo expelida de Europa a uma altura de até 400 km da superfície.  A equipe de Xianzhe foi responsável por verificar se os dados “esquisitos” correspondiam a passagem da sonda por uma pluma de água. O artigo foi publicado nesta segunda-feira (14).

O interior de Europa é quente, o que mantém seu oceano líquido. Supõe-se que, na região analisada pela sonda, o calor do interior da lua “vaza” expelindo junto o líquido do oceano. Especula-se também que este oceano possui as condições necessárias para abrigar moléculas orgânicas, mas, para confirmar isso, é preciso saber do que é feito esse oceano. A Nasa está preparando outra sonda para visitar Europa, que deve ser lançada até meados da próxima década. Com a descoberta, os cientistas e engenheiros da agência podem fazer um equipamento que coleta amostras diretamente das plumas de água, evitando os custos de construir um equipamento que pouse em Europa.

Imagem destacada: Lua Europa por NASA/JPL-Caltech/SETI Institute.

Por Bárbara Muller.

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