A ciência tem avançado muito, trazendo inúmeros benefícios para a humanidade, mas algumas práticas ainda não foram deixadas de lado. É o caso da experimentação em animais vivos. Os cientistas não são a favor da crueldade com os animais, mas ainda os usam como cobaias para desenvolver medicamentos, testar suas hipóteses e estudar. Conversamos  com o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e presidente do Comitê de Ética de Uso de Animais (CEUA), Daniel Moura de Aguiar, para saber por que ainda usamos animais no meio científico e o que está sendo feito para mudar essa situação.

O professor explica que a Medicina Veterinária e as ciências médicas, incluindo também nutrição, educação física e psicologia, são exemplos comuns da utilização de animais em suas pesquisas. As experiências vão desde coleta de sangue para verificar a existência de doenças, até a exposição dos animais a patógenos e outras substâncias para verificar as possíveis reações. “Sempre respeitando o bem-estar, minimizando a dor e o estresse”, diz o professor. Além disso, as aulas práticas de alguns cursos podem incluir o uso de animais para facilitar o aprendizado dos estudantes.

Mas vale a pena submeter os animais a algum tipo de sofrimento pela ciência? O professor explica que “existem alguns procedimentos, principalmente na área terapêutica, que ainda precisam ser validados em seres vivos”. É o caso dos medicamentos, que precisam ser testados em cobaias animais antes de seres humanos. Nesse momento, os cientistas se atentam a possíveis efeitos colaterais que podem colocar pessoas doentes em risco. Lembrando que nem toda a experimentação com animais envolve dor ou sofrimento. Uma nova ração, mais nutritiva e mais barata, é um produto benéfico aos animais, porém precisa ser testado antes de chegar ao mercado.

Daniel Aguiar também aponta que mudanças estão acontecendo, e o uso de animais vem caindo em algumas áreas. Ele cita como exemplo a utilização de culturas de células para a produção de antígenos para bactérias e protozoários, sem que seja necessário inocular o animal. “Acredito que, no futuro, poderemos testar várias coisas e ampliar o leque de utilização e cultivo celular, por exemplo”. Os avanços na ciência da computação também tem seu impacto nas pesquisas em medicina e medicina veterinária, permitindo aos cientistas criar modelos e simulações que prevêem a reação das cobaias. Segundo o professor, ns aulas práticas de cursos de graduação, o uso de animais vivos vem diminuindo e sendo substituído por outras técnicas.

Toda experimentação em animais precisa ser autorizada por um conselho de ética. Na UFMT, por exemplo, o CEUA recebe e analisa os projetos de pesquisa, dando ou não a autorização. O conselho é responsável por verificar se aquela pesquisa não pode ser feita utilizando outro método, ou se não é possível reduzir o número de animais utilizados. Em algumas sugestões, o conselho pode também sugerir que o número de cobaias seja maior, por considerar que um número muito reduzido não levará a resultados conclusivos, exigindo outras pesquisas similares no futuro. O CEUA também é responsável pelo biotério, o local onde os animais de laboratório são produzidos e mantidos, garantindo seu conforto e bem-estar.

 

Imagem destacada disponível em Wikimedia Commons.

Por Bárbara Muller.

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