A estrela Ross 128 é a décima mais próxima da Terra. Localizada a cerca de 11 anos-luz, é uma anã vermelha na constelação de Virgem. Em 2017, foi descoberto um planeta nas imediações dessa estrela, o Ross 128b. Em junho deste ano, pesquisadores brasileiros do Observatório Nacional (ON), descobriram que o exoplaneta tem condições similares às da Terra, e pode ser habitável. A descoberta foi publicada na revista científica Astrophysical Jornal Letters.

A ideia da equipe era estudar a estrela e assim, coletar mais informações sobre o exoplaneta. Os brasileiros foram os primeiros a fazer a caracterização detalhada do padrão químico da Ross 128, estimando também a composição de seu planeta. “Nós pudemos estudar a quantidade química de 8 elementos na estrela Ross 128 (ferro, carbono, oxigênio, magnésio, alumínio, potássio, cálcio e titânio) e a partir destas propriedades químicas, nós determinamos o possível tamanho do exoplaneta e consequentemente sua densidade”, explica Diogo Souto, pesquisador do ON e primeiro autor do artigo.

Para analisar a estrela, os pesquisadores utilizaram seu espectro, que é conseguido quando a luz do astro passa por um prisma e é decomposta. O resultado é uma faixa com todas as cores do arco-íris, intercaladas com algumas linhas pretas. O local onde a linha preta aparece no espectro indica a presença de um elemento químico. Assim, observando as linhas pretas,os astrônomos podem deduzir a composição de uma estrela e, sabendo do que ela é feita, é possível deduzir os “ingredientes” do planeta que está em sua órbita.  

Na análise, foi descoberto que Ross 128b tem dimensões parecidas com a do nosso querido planeta azul, sendo 10% maior. É também um planeta rochoso, e recebe de sua estrela uma radiação parecida com a que a Terra recebe do Sol. Sua temperatura média é de 21ºC. Souto explica que nesse estudo não foi possível determinar se o planeta tem uma atmosfera. Porém, os cientistas apontam que Ross 128b possui um núcleo um pouco maior que o da nossa Terra, dominado por metais rochosos. Dessa forma, é possível que ele tenha placas tectônicas em movimento.

Caso o planeta tenha placas tectônicas é plausível a existência de atividade vulcânica, que contribui com a formação da atmosfera despejando compostos gasosos na superfície. Além disso “as placas desempenham um papel vital no ciclo de carbono do exoplaneta, mantendo um clima temperado a longo prazo”, diz o pesquisador. A presença de placas tectônicas também aumentam as chances da existência de um campo eletromagnético, que protegeria o exoplaneta de ventos estelares.

Essas características deverão ser ou não confirmadas por pesquisas futuras, com os novos telescópios espaciais. O artigo foi escrito por 17 autores e o resumo pode ser acessado neste link.

Imagem destacada: Concepção artística do exoplaneta Ross 128b, com sua estrela ao fundo. Por ESO/M. Kornmesser

Por Bárbara Muller.

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