2019, o ano (já não tão) novo

9 de janeiro de 2019


Dando continuidade no tema dos ciclos, iniciado na última semana neste espaço, vamos tentar falar um pouco deste 2019 que ainda começa. Longe das intenções da clarividência, o texto que segue trata, no máximo, de expectativas, ou do que podemos esperar do nosso cotidiano para o ciclo que acabou de começar.
Aqui onde trabalho, ao longo do ano passado nasceram sete bebês – filhas e filhos de servidores, e há pelo menos mais um a caminho para o mês que vem. Já ouvi comentários risonhos de gente se questionando o que tem na água daqui, que o povo anda bebendo e ficando fértil! Independentemente do que possa haver na água, isso é outro ciclo – o da vida – mostrando sua força. E ainda bem que é assim! Graças a este ciclo estamos todos aqui, e outros continuam vindo e virão depois de nós, renovando a espécie.
Crianças creio que sejam um dos símbolos mais marcantes da lógica cíclica. Acompanhamos ao vivo o início de uma nova história, que se estenderá pelo futuro jogando-se ao mundo com a vontade de descobrir todas as novidades – e simplesmente tudo é novidade para elas! Sua chegada muda também o ciclo dos pais, que muitas vezes precisam (re)adequar uma vida inteira em torno do novo ser, atendendo a suas necessidades. E o aniversário é o ritual indicando o novo ciclo pessoal-anual, seguindo a lógica do calendário gregoriano. É a vida que segue, cíclica como sempre.
Os ciclos têm algo de natural, pode nos parecer. Afinal, a natureza – elemento mais essencial do qual fazemos parte – apresenta essa característica em vários aspectos. Mas nem todos os ciclos devem ser encarados como algo escrito em nossas vidas, tão pétreo do qual não podemos escapar. O ciclo da vida, por exemplo, é individualmente quebrado pela morte.
Os vícios podem ser cíclicos em nossa vida. Quem passa ou já passou por situações como reeducação alimentar ou a interrupção no hábito de fumar ou ingerir bebidas alcoólicas, que não raro nos fazem sofrer recaídas, sabe que muitas vezes precisa-se de algumas tentativas para nos livrarmos do que nos faz mal. E após a recaída faz-se necessário um novo recomeço, dando largada a um novo ciclo, sempre na esperança de que seja o último neste sentido.
Fim de relacionamento, então! A atual música sertaneja, embora na sofrência – ah, vá! Derreter o ouro da aliança e beber tudo de cachaça é demais, não!? – faz sucesso, dentre outras coisas, por cantar as agruras do fechamento de um ciclo que, via de regra, o eu lírico não gostaria que tivesse se encerrado. Afinal, quem nunca sofreu por amor…? É um desejo sem fim que se inicie um novo ciclo, talvez até com a mesma pessoa de antes!
Sejam ciclos positivos ou negativos, o importante é entendermos seu funcionamento, sua lógica. Isso nos ajudará a pôr fim àqueles que nos fazem mal, e a reconhecermos quando se inicia um que nos fará bem. E assim segue nossa existência, cíclica, até que se feche nosso ciclo derradeiro.
Que 2019 seja marcado como um ciclo positivo para todos nós! Que vençamos nossas batalhas cotidianas. Que tenhamos força para lutar nossas boas lutas, que seus encerramentos marquem o fechamento de ciclos. Que aprendamos nas vitórias e, principalmente, nas derrotas. Tudo isso para que, quando se iniciarem os novos ciclos, estejamos prontos para eles!

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