A divisão de MT fez bem para a economia dos dois Estados

12 de outubro de 2018


 

O caráter litigioso da separação MT/MS gerou um gosto azedo para aqueles mais ligados ao tradicionalismo sempre que se trata do tema. Tanto no aspecto político quanto se fala na relação com Mato Grosso do Sul e na disputa entre as duas capitais (Cuiabá x Campo Grande) quanto pelas questões de ordem financeira na relação com o Governo Federal. A disputa pela sub-sede da Copa do Mundo de 2014 em 2009 acabou reavivando estes sentimentos de lado a lado 30 anos depois da efetiva separação. Isto demonstra que a cicatriz não curou a contento mesmo após tanto tempo transcorrido e a ascensão ao poder de uma nova geração nos dois Estados.

Porém, as gerações mais novas, com formação política posterior em Mato Grosso remanescente, vêm destacando os seus aspectos positivos. Ficou a impressão de que teria sido muito melhor para MT do que para MS em função do crescimento econômico medido pelo PIB muito superior apresentado por MT no período subsequente. Segundo dados do IBGE o PIB de Mato Grosso aumentou 552,7% no intervalo entre 1980 e 2010 em termos reais (após correção inflacionária). Já Mato Grosso do Sul cresceu apenas 161,54% ao mesmo tempo, “somente” dobrando sua economia em termos reais nestes quase 30 anos em comparação à multiplicação por mais de seis vezes experimentada pela antiga porção setentrional do território mato-grossense uno.

MT ficou em terceiro lugar dentre os Estados que mais cresceram nestas três décadas e MS na 19ª colocação, o que o situa entre os dez Estados de menor crescimento.  Uma conclusão que pode ser extraída é que a economia de MS estava num outro estágio de maturidade, próxima de seus Estados vizinhos como SP e MG ou mesmo SC, RS e RJ. Perdeu o caráter de fronteira agropecuária que teve da chegada da Ferrovia Noroeste do Brasil até a década de 1970. É uma hipótese a ser testada, mas tudo sugere que sua economia estava ainda muito articulada MG e SP até a década de 1980. A partir de 1990 o novo ciclo liderado pelo agribusiness também chegou lá e reativou de modo lento o crescimento econômico.   

Enquanto o PIB de MT era 54% de MS numa estimativa de 1975, esta relação se inverteu para quase o dobro em 2004, quando MT atingiu 175% do de MS. A partir deste momento a economia sul mato-grossense recuperou seu dinamismo e voltou a crescer numa velocidade maior do que o irmão do norte. Em 2015 esta relação PIB MT/PIB MS caiu para 129%. Mantida esta tendência os dois estarão equivalentes de novo em breve, algo que não ocorre desde 1993, quando se consolidou arrancada de MT. A década de 1980 foi decisiva para a arrancada de MT, uma vez que sua economia aumentou 83,47% em termos reais, contra uma quase estagnação de 14,73% de MS. Nas décadas seguintes a diferença de desempenho veio caindo, com MS recuperando a dianteira no período presente (2010-2015). Isto pode ser compreendido diante do pacote de investimentos feitos pelos Governo do Estado e Federal em MT entre 1970-1985.

O ex-Governador Júlio Campos estimou em cerca de US$ 500 milhões o total de empréstimos junto a instituições financeiras internacionais contraídos no seu mandato. Numa estimativa para 2017 chegamos a R$ 11,8 bilhões, equivalente a mais de 60% do orçamento estadual para aquele ano (R$ 18,5 bilhões). Sem avaliar seus resultados aqui, basta dizer que estes investimentos em infraestrutura tiveram impacto no crescimento econômico experimentado pelo Estado. Foram decisivos para que os dois Estados ocupassem a posição de hoje.

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