Greve dos caminhoneiros e seca afetam o preço do leite


Quem vai constantemente ao supermercado observou que o preço do leite subiu, e muito. Em vários estabelecimentos, a caixinha de um litro custa cerca de R$ 4. Mas qual foi o motivo deste aumento? Para saber a resposta, o Leiagora conversou com Walter de Oliveira, Gerente Comercial da Lacbom, maior empresa de leite e derivados de Mato Grosso.

Walter explica que esse aumento é cíclico, ou seja, é esperado pela indústria e pelo consumidor todos os anos. Entretanto, este ano, ele chegou mais cedo. “Devido a greve dos caminhoneiros houve uma antecipação desse aumento. Muitos produtores jogaram a produção fora por falta de escoamento”. O prejuízo começou direto na fonte e acabou sendo repassado pro consumidor.

Fatores externos, como a alta do dólar, também influenciaram. Mesmo que o leite seja produzido e vendido dentro do país, o maquinário utilizado é importado. Os equipamentos passam por revisões quinzenais e mensais, na qual são trocadas peças. Esses componentes não são fabricados no Brasil, e são comprados em dólar. A moeda estrangeira também influenciou no preço da ração dos animais. Na época da seca, a pastagem perde nutrientes e o produtor precisa complementar a alimentação do gado. A ração usada sofreu um aumento porque sua matéria prima, o milho, ficou mais cara. Um dos fatores que contribuiu para isso foi o tabelamento do frete que encareceu o escoamento.

O Gerente também explica que as fábricas de leite e seus derivados trabalham com volume de produção. “Quando produzimos mais, o custo de produção é menor. Quando produzimos pouco, o custo de produção é maior”, diz. Assim, com pouca matéria prima para trabalhar, o custo de produção da indústria sobe, refletindo em um preço mais caro a ser repassado ao consumidor.

O barateamento do preço do leite tende a acontecer quando começa a época das chuvas, em novembro. Segundo Walter, os preços cairão tão rapidamente quanto aumentaram. Entretanto o consumidor pode observar pequenas quedas acontecendo no futuro próximo, já que os impactos iniciais da greve dos caminhoneiros estão sendo superados.

Imagem destacada disponível em pxinio.com.

Direto da Redação, Bárbara Muller.

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