“Não acredito em outro caminho possível a não ser através de educação, arte e cultura”, diz diretora do Teatro Zulmira Canavarros; vídeo

6 de dezembro de 2018


O LTV recebeu em seus estúdios a diretora-geral do Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros e da Sala da Mulher, Daniella Paula de Oliveira, para bater um papo interessante sobre cultura e projeto sociais. O Teatro, que é vinculado à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), é um dos maiores do país, com 765 lugares e uma acústica de excelente qualidade.

Ela explica que unir um espaço de espetáculos teatrais com uma instituição governamental facilita a discussão sobre ações do governo em prol da cultura. “Ali mesmo a gente pode discutir políticas públicas para fomentar a cultura e arte. A gente está no meio, então a gente consegue vivenciar de forma expressiva para poder sugerir”, conta.

Além de ser referência cultural, o Zulmira Canavarros atua em parceria com a ALMT, por meio da Sala da Mulher, realizando diversas ações sociais, como, por exemplo, o bazar solidário, que é um sucesso em todas as suas edições. “A Sala tem proporcionado o consumo consciente, o reaproveitamento, a parceria do bem, que gera um pouquinho de renda que vai ser revertida para as instituições filantrópicas que precisam”, destaca.

Para facilitar a imersão cultural, fazendo com que mais pessoas tenham acesso à cultura, cerca de 70 a 80% dos eventos no Teatro Zulmira são ingressos sociais, onde basta levar um alimento não perecível, um livro ou um brinquedo – que será definido de acordo com a campanha. “É uma forma da gente democratizar a cultura, de fazer com que todos cheguem até a gente”, afirma Daniella.

Além disso, a gestão atual desempenha um papel importante levando crianças e mães carentes de periferias e creches de Cuiabá, Várzea Grande, Livramento e Chapada dos Guimarães para assistir os espetáculos da casa. “Nós fizemos essas pontes, que foram transformadoras, porque não tem nada mais gratificante da gente ver aquelas mulheres, aqueles seres humanos entrando pelo teatro com os olhos brilhando e redescobrindo esse espaço”, conta.

Para a diretora, um dos principais objetivos da arte é tocar e comover o ser humano, transformando-os em cidadãos críticos, e o Zulmira Canavarros luta para que mais pessoas tenham essa acessibilidade. “A gente fica muito feliz quando podemos dar essa oportunidade de abrir as portas e trazer para cá aqueles que mais necessitam ver, porque se o teatro não pode se deslocar e ir até a periferia, a gente traz a periferia para dentro do teatro”, pondera Daniella.

A Sala da Mulher e o Teatro Zulmira atuam como um sendo complemento do outro – com o primeiro servindo para a realização de projetos e o segundo como instrumento. De acordo com Oliveira, mais de 500 pessoas já foram capacitadas nessa gestão, por meio de diversos cursos, como oratória, técnicas de pintura em prato e em tela, penteados, automaquiagem e curso de teatro para professores. Além disso, os alimentos arrecadados nos ingressos dos espetáculos são todos revertidos para instituições cadastradas na Sala da Mulher – no ano passado cerca de 40 a 50 toneladas de alimentos forem entregues.

Questionada sobre a expectativa do cenário artístico e cultural no Brasil para o próximo ano, ela diz que resistência é a palavra-chave. “A arte e cultura têm que resistir, eu não acredito em outro caminho possível a não ser através de educação, arte e cultura. Essa tríade vai ser o tripé, de fato, para gente sustentar uma sociedade melhor, mais humana e igualitária”, argumenta Daniella.

Para Oliveira, a expressão artística é de suma importância para a sociedade e o país. “Não tem outra saída, não vislumbro outro futuro possível a não ser através desses pensamentos de arte, de alegria e de possibilidades”, finaliza.

Confira a entrevista completa no vídeo:

Direto da Redação, Maisa Martinelli/ Iury Lupaudi

3 recomendado
comments icon 0 comentários
bookmark icon

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *