Time escalado – I

 

Com o encerramento do prazo legal para as convenções o trabalho de análise fica um pouco mais fácil. Já sabemos a escalação dos times, incluindo os jogadores e as suas posições. Algumas definições ficaram para a última hora mesmo, com destaque para a vaga de vice-governador e também as suplências do Senado.

Acabou predominando a visão convencional para as eleições de duas vagas no Senado. Cheguei a conjecturar em alguns artigos sobre a possibilidade das coligações lançarem apenas um candidato ao senado, para evitar muitas candidaturas e uma eleição mais embolada. Lembremos que há muitos anos não temos dois senadores da mesma coligação eleitos. O voto cruzado entre chapas já aconteceu e deverá se repetir. Porém,  prevaleceu a visão de que mais candidatos somam votos aos invés de dividir. Ficaram 11 a senador, sendo seis nas coligações mais competitivas e o Procurador Mauro pelo PSOL, que tem também uma densidade eleitoral respeitável. Com um grande volume de voto ABN (abstenção, branco e nulo) que devemos ter e a consequente redução da base de válidos podemos ter senadores eleitos com 400.000 ou 500.000 votos. Será, sem dúvida, uma eleição animada.

Mauro Mendes (Dem) conseguiu montar a chapa mais expressiva do ponto de vista dos candidatos majoritários. Ele ficou como Governador, como se anunciava há muito tempo, com Otaviano Pivetta (PDT) na vice, repetindo a dobradinha de 2010. Para o Senado ficaram Jaime Campos (Dem) e Carlos Fávaro (PSD), ambos com papel de destaque na direção dos seus partidos. Os quatro estiveram aliados ao Governador Pedro Taques em 2014 e acabaram abrindo uma dissidência e deixando-o com parte da sua coligação original e alguns novos aliados.  É uma chapa com forte posicionamento nas pesquisas de intenção de voto e também uma base densa em Cuiabá, Várzea Grande e Lucas do Rio Verde com a presença dos três ex-prefeitos. A vinda do MDB e sua participação na majoritária com José Lacerda suplente de Fávaro interioriza bem este grupo, somado ao peso que o Democratas e o PSD já tem.

Uma jogada importante nesta coligação foi a retirada da candidatura de Fábio Garcia a deputado federal e seu aproveitamento como 1º suplente de Jayme Campos. A meu ver foi uma forma de facilitar a coligação na proporcional, com destaque para o MDB que tem três candidatos a federal competitivos. Destaco Valternir Pereira, que tem na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá sua base mais importante.  Houve também o favorecimento indireto do filho do prefeito Emanuel Pinheiro, que postula uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PTB e divide o mesmo colégio eleitoral.

Após muitas especulações de retirada da candidatura o senador Wellington Fagundes acabou confirmando sua postulação ao Governo do Estado. Confirmou a tradição de senadores em meio de mandato disputarem esta eleição, como Antero Paes de Barros em 2002, Serys Marli em 2006 e Pedro Taques em 2014. Dada a sua habilidade como articulador conseguiu reunir  a maior parte da oposição ao Governo Pedro Taques, tanto à direita com PP, PRB, PTB e PR quanto à esquerda com PT e PC do B. Ficou com o maior tempo de TV e uma estrutura importante. É uma candidatura competitiva e que tem índices de potencial eleitoral semelhantes a Mauro Mendes. Há uma grande chance destes passarem para um bem provável segundo turno. Sua principal dificuldade será formular um discurso alternativo ao atual Governo, já que em poucos momentos ele se posicionou ao longo dos últimos três anos e meio. Sem contar com as limitações de discurso que Wellington apresenta nas eleições majoritárias. Retomo este tema na próxima semana.

 

 

 

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