Milagre econômico financeiro

7 de fevereiro de 2019


Na década que vai de 1995 a 2004, a economia matogrossense teve um salto qualitativo que facilmente poderia ser chamado de milagre econômico. Um conjunto de fatores políticos, econômicos e sociais contribuíram na construção do milagre.

Sob a liderança do então governador Dante de Oliveira, o maior líder político da história de Mato Grosso, a partir de 1995 foram estabelecidas as premissas econômicas, sociais e políticas que permitiram ao Estado dar o maior salto de prosperidade de sua história econômica.

Dante de Oliveira implantou um conjunto de reformas nas áreas de governança, tributária e organizacional que redesenharam o aparelho estatal, tornando-o mais eficiente, após aderir a um programa da administração federal de alongamento e refinanciamento de dívidas, privatizações, extinção de empresas públicas e apoio à austeridade fiscal.

Colocou em prática ousado programa de incentivos fiscais para diversas cadeias produtivas como as do algodão, madeira, soja, carnes e couros bovinos. Com a melhoria do ambiente de negócios, percorreu os principais mercados nacionais e internacionais mostrando aos grandes conglomerados empresariais nacionais e globais as vantagens competitivas que obteriam montando suas plantas industriais na emergente economia do Estado.

Especialmente as empresas voltadas à industrialização de alimentos e têxteis. Os efeitos duradouros e estruturais desse programa de atração de investimentos são colhidos até os dias atuais.

Nesse período, o crescimento do PIB estadual teve desempenho chinês, com média anual acima de 9,2%. Segundo o IBGE, no período sequente, que vai de 1996 a 2015, Mato Grosso tornou-se um dos estados com maior crescimento econômico do Brasil.

Impulsionado pelo acelerado crescimento da produção agropecuária e expansão da agroindustrialização, o PIB estadual saltou de R$ 7,946 bilhões em 1996 para R$ 123,83 bilhões em 2015 ( IBGE, 2017, PIB dos estados ). A participação relativa no PIB nacional saltou de 0,69% em 1997 para 1,72%.

Nesse espaço temporal Mato Grosso consolidou sua posição de economia agroexportadora, tornando-se um dos maiores “players” mundiais na produção e exportação de commodities agropecuárias, especialmente soja, milho, fibras e carnes.

A despeito do hercúleo esforço do estadista, o avanço na industrialização não se deu no mesmo ritmo do crescimento da atividade econômica e do setor mais dinâmico de nossa economia que é o agronegócio.

Fato que exige dos atuais líderes políticos, institucionais e empresariais ações estratégicas para que Mato Grosso avance para o ciclo econômico baseado na industrialização de sua produção. Naturalmente, tal empreitada não é nada fácil e exigirá novo esforço concentrado, em dimensão idêntica ao empreendido por Dante de Oliveira, mas ambientado nas circunstâncias políticas e mercadológicas atuais e levando em consideração os cenários econômicos local, nacional e mundial.

Trata-se de tarefa a ser cumprida com forte liderança e ações integradas de todas as forças vivas da sociedade. O mapa do caminho foi apontado lá atrás. É preciso caminhar e dar a sequência natural que se exige para se tornar uma economia madura e desenvolvida.

Mas, como dizem os chineses “… para se andar mil léguas é preciso percorrer as primeiras”, temos de caminhar as nossas primeiras léguas rumo à industrialização.

Por Vivaldo Lopes 

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