Saúde vira caso de polícia e pacientes continuam morrendo ‘à míngua’

5 de dezembro de 2018


Deflagrada nesta última terça-feira (04), a ‘Operação Sangria’, comandada pelo Ministério Público Federal e a Polícia Judiciária Civil de MT, desarticulou a formação de um consórcio formado por um grupo de médicos para comandar o mercado da saúde por meio de três empresas que comandavam os serviços de enfermaria, transporte, UTI e Home Care, com irregularidades em licitações e contratos. Como resultado da operação, o secretário municipal de saúde Huark Douglas foi exonerado do cargo.

Nesta quarta-feira (05), mais denúncias feitas pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio da 35ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Cuiabá, ingressaram com uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra o prefeito da Capital, Emanuel Pinheiro, assim como o secretário municipal de Saúde, Huark Douglas Correia, em razão do número excessivo de contratações temporárias de servidores.

Na semana passada, representantes do Fórum Permanente de Saúde saíram às ruas para protestar contra a gestão do novo Pronto-Socorro após a Prefeitura de Cuiabá anunciar, por meio da secretaria de Saúde, que planejava que a Empresa Cuiabana (que integra o cartel denunciado), responsável pelo Hospital São Benedito, administre o novo Pronto-Socorro. Um dos entusiastas da ideia seria o ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Douglas.

Sob a alegação de falta de recursos, as UPAS funcionam precariamente, falta medicamento e materiais considerados básicos para o atendimento. Em consequência da falta de recursos, o município cuiabano sofre nos corredores de hospitais e unidades de saúde, morrendo antes do tempo por falta de oportunidade de receber o atendimento adequado em uma UTI. As sucessivas denúncias de desvio de recursos, má gestão e agora formação de cartel, comprovam que o problema da saúde não é apenas falta de dinheiro.

Cabe ao prefeito Emanuel Pinheiro, que surfa na onda do governo federal com a construção do novo Pronto-Socorro, onde simbolicamente instalou seu gabinete para “tocar” a obra e garantir a inauguração ainda esse mês, contratar em primeiro lugar uma empresa de desratização para combater os ratos que consomem os recursos da saúde. Na oportunidade, o prefeito deve escolher um novo secretário municipal com compromisso de respeitar o cidadão em seu direito inalienável de acesso à saúde digna e humana, aplicando bem os recursos públicos disponíveis.

Com a economia que vai ser feita somente evitando grandes operações policiais, ações civis públicas, liminares por atendimento, medicamento, mobilização do ministério público, advogados de defesas, CPIs de vereadores , advogados e mídias de defesa e retratação, muito pode ser feito pelos desvalidos da saúde, os mendigos de atendimento médico, de vagas hospitalares e os carentes de medicamento de uso contínuo. Sem desvios de recursos, muito poderá ser feito pela saúde pública de Cuiabá e por aqueles que continuam morrendo à míngua.

Paulo Pedra

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