Você gostaria de viver para sempre?

Esta é uma pergunta que me atormenta desde a adolescência.

Inicialmente, aos 17 anos, eu pensava que viver até os 40 seria uma dádiva, porque estaria dentro do terceiro milênio. O mundo chegaria, enfim, aos anos 2000? Meus avós diziam que na Bíblia estava escrito que “dos mil passaria mas aos dois mil não chegaria”. O mundo, é claro! Mas o que eles tinham como mundo? O planeta ou as pessoas sobre o planeta?

Com o passar do tempo do tempo tornei-me cético. Cada vez acreditando menos em tudo. Li todos os livros da Bíblia e não encontrei a talpassagem dos “mil anos”. Amei alguns livros bíblicos e detestei a maioria deles. Amei Eclesiastes. Depois descobri eu não estava sozinho neste amor ao Eclesiastes. Detestei o Levítico. Detestei a entrada na terra prometida. Um morticínio sem sentido. Mas isto é madeira para outra obra.

Quanto mais velho, mas cético fui ficando, até não acreditar nem em mim mesmo.

Hoje, incrédulo e descrente, ainda penso no quanto meus avós estavam enganados. Morreram acreditando que no ano 2000 o mundo e os povosforam devorados pelo fogo.

Então, hoje eu olho para os meus conceitos e preconceitos e fico imaginando o que meus netos pensarão de mim e de nossa geração sobre ascoisas que acreditamos hoje e que eles não acreditarão amanhã.

Talvez eles pensarão:

— Coitados, eles acreditavam que um dia descobririam a cura do câncer e todos poderiam viver para sempre! Seria só uma questão detempo, de boa vontade das indústrias farmacêuticas, dos cientistas e da inteligênciaartificial.

Morreram acreditando.

S.J. Rio Preto, abril/2018

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