Psicanalista fala sobre Transtorno de Personalidade Borderline

12 de fevereiro de 2019


Você já ouviu falar sobre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

Segundo estudos na área da psicopatologia, o Borderline é definido como um transtorno de personalidade e suas características mais evidentes são impulsividade, instabilidade emocional, humor oscilante, baixa autoestima e autoimagem distorcida. Muitas vezes de difícil diagnóstico, pode ser confundido com outros transtornos.

A reportagem do Leiagora entrevistou a psicanalista Caroline Weiss sobre o assunto e vai te contar mais sobre a doença, suas causas, sintomas e tratamento.

 

Nos dias atuais, muitas doenças psicológicas rondam a sociedade. O transtorno borderline é uma delas. Para quem nunca ouviu falar da doença, como você a descreveria?

Transtorno de personalidade borderline ou limítrofe engloba uma série de características, por assim dizer, ligadas, principalmente, à forma pela qual o sujeito se relaciona com o outro, como ele se posiciona diante das adversidades da vida e a maneira como ele percebe a si mesmo. Marcado pela instabilidade afetiva (uma hora ama, noutra odeia), pela impulsividade (que pode vir em rompantes de agressividade e violência) e uma noção depreciativa de si mesmo, geralmente acompanhada de perda da realidade e paranoia.

Frequentemente os pacientes relatam algum tipo de alucinação, como se uma voz ou o próprio pensamento lhes dissesse coisas.

É muito comum a automutilação e ideação suicida.

Geralmente, os sintomas se acentuam no final da adolescência e início da fase adulta, e algumas publicações sugerem algum trauma na infância, geralmente sexual, mas isso não é determinante.

O diagnóstico deve ser muito cuidadoso, principalmente para não estigmatizar o paciente. É comum, em diversos transtornos, depois do diagnóstico, o paciente se reconhecer vestindo um certo rótulo, o que dificulta e muito o tratamento.

É claro que é papel de um especialista diagnosticar doenças do tipo, mas é possível identificar uma tendência à doença dentro do círculo de convivência?

Sim, geralmente comportamentos impulsivos e dificuldades nas relações interpessoais são as características mais evidentes.

Nesse caso, como ajudar essa pessoa?

Se quem está perto estiver disposto a ouvir aquele que sofre, pode ser uma forma de acolher num primeiro momento e incentivar a buscar ajuda especializada, a conversar com um psicólogo.

Como diferenciar o borderline a pessoa com transtorno bipolar, já que ambos costumam ser instáveis, inseguros e ter o humor oscilante?

O diagnóstico diferencial é muito difícil, pois é comum o borderline estar associado a outras comorbidades.

Essa coisa de viver no limite das emoções pode prejudicar muito as relações de quem tem o transtorno com quem os cerca. É mais fácil essas relações serem prejudicadas no que diz respeito a amigos, família ou relacionamentos?

Na verdade, sofre mais quem estiver mais próximo. É difícil descrever um padrão, já que cada caso terá a sua especificidade.

Como é o tratamento para a doença?

Eu diria que a melhor maneira de lidar é compreender que, em algum momento da vida, a maior parte das pessoas vai passar por algum tipo de sofrimento. Independente de qual seja, é importante saber que para isso existe ajuda especializada, e que não precisa passar por isso sozinho.

Sempre recomendo que se busque primeiro um psicólogo, antes de buscar uma intervenção psiquiátrica.

A psicoterapia vai possibilitar que o sujeito se reconheça diante do seu sintoma e crie recursos para lidar com ele. O sintoma é uma maneira que o corpo tem de dizer sobre algo que o sujeito não consegue colocar em palavras.

Quando se parte direto para a intervenção medicamentosa é como calar o sintoma, anestesiar o sujeito.

O psicólogo é o profissional que vai acompanhar o paciente de perto, com sessões geralmente semanais, ou maior frequência, se necessário for.

Costumo dizer para os meus pacientes que podem me procurar se sentirem que precisam falar (nem sempre as pessoas que estão por perto têm condições ou disponibilidade para compreender o que se passa com quem sofre), podem mandar mensagem a qualquer hora que eu respondo assim que possível, marco sessão extra, antecipo a sessão e se não tiver como atender no consultório, ofereço uma sessão por telefone.

No caso do borderline, na grande maioria das vezes, se faz necessária a intervenção medicamentosa.

É importante ressaltar a necessidade de um trabalho conjunto, em que o psiquiatra e o psicólogo possam dialogar sobre o caso. Alguns pacientes têm uma característica de manipulação, por isso os profissionais devem estar atentos no manejo com estes pacientes.

Em picos de crise quais são os riscos para a pessoa e para quem a cerca?

Surtos de violência e/ou ideação suicida, mesmo que não haja uma intenção direta de ferir o outro ou a si mesmo, são riscos reais.

Direto da redação, Josiane Dalmagro

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